

A Coisificação dos Psicólogos
O cenário contemporâneo da formação e do exercício profissional da psicologia no Brasil expõe de forma dramática as fissuras ontológicas da sociabilidade burguesa em sua fase de crise estrutural. A proliferação desmesurada de faculdades privadas voltadas ao ensino superior transformou o diploma universitário em mera mercadoria e engendrou uma massa de egressos tecnicamente débeis, desprovidos de sustentação epistemológica e historicamente alienados de sua própria condição de
há 4 horas5 min de leitura


A Condição Autística Segundo Freud
Excepcionalmente, escrevi hoje um texto mais extenso — a relevância do tema assim o exige. Nele, proponho uma abordagem ensaística que combina reflexão filológica e análise metapsicológica da condição autística, a partir das contribuições de Sigmund Freud. Na gênese do vocabulário psicanalítico para as patologias do desligamento da realidade, o ponto de partida freudiano reside na dinâmica da libido [Libido] e na economia dos investimentos de energia psíquica [Besetzungen]. F
19 de ago.10 min de leitura


A Estupidez do Etarismo
A sociedade adora se vestir com o manto da moralidade pública para esconder a própria miséria emocional. Quando o assunto é um relacionamento com uma diferença de idade marcante, as máscaras caem com uma velocidade assustadora, revelando não uma preocupação com o bem-estar alheio, mas a profunda escuridão, frustração e hipocrisia de quem assiste da plateia. O julgamento alheio sobre essas uniões é o sintoma escancarado de uma sociedade doente por controle, preconceito e reca
10 de jul.2 min de leitura


Os psicólogos e a burrice do demônio
A burrice do demônio, para utilizar a expressão de Helio Peregrino no seu livro homonimo, manifesta-se não apenas como ignorância, mas como uma incapacidade estrutural de pensar a realidade para além das categorias prontas. Ela não é ausência de informação; é a perda da potência crítica. Quando essa lógica atravessa a formação dos psicólogos, produz profissionais altamente especializados em protocolos, classificações e técnicas, mas cada vez menos capazes de compreender a sin
27 de jun.3 min de leitura


Jacques-Alain Miller e o niilismo burguês
A refundação do laço social e a superação da fratura civilizatória imposta pela acumulação capitalista exigem uma mediação dialética entre a subjetividade em sofrimento e a objetividade histórica. Esse movimento representa a transição da consciência em si — o sofrimento atomizado da carne explorada, vivido na solidão do divã ou no isolamento do quarto — para a consciência para si, quando o sujeito assume sua condição de agente histórico. A tarefa ético-política não é promover
27 de mai.3 min de leitura


O Amor, Uma Invenção
Se há um ponto onde Lacan crava seu bisturi com a precisão de um corte cirúrgico, é neste enunciado célebre e perturbador: "A relação sexual não existe." Não se trata de uma provocação gratuita ou de uma negação do ato sexual, mas da afirmação de uma falha estrutural: não há fórmula simbólica que escreva a relação entre os sexos de maneira complementar, recíproca, harmônica. Não há Um que se encaixe no Outro. O sexo, para Lacan, não é natural, é traumático — e é por isso que
18 de mai.2 min de leitura


A Histeria como Denúncia
Quando Freud atendeu as histéricas em Viena, o sintoma delas — a paralisia, a tosse, a conversão — era uma forma de linguagem. O corpo, recusando-se a obedecer à norma vitoriana, "falava" aquilo que a consciência não podia admitir. Como vimos no Volume (Estudos sobre a Histeria), o corpo da histérica era um campo de batalha onde a subjetividade tentava, através do sintoma, afirmar-se contra a domesticação burguesa. Hoje, a indústria da moda opera uma inversão da histeria. En
11 de mai.3 min de leitura










