

A Histeria como Denúncia
Quando Freud atendeu as histéricas em Viena, o sintoma delas — a paralisia, a tosse, a conversão — era uma forma de linguagem. O corpo, recusando-se a obedecer à norma vitoriana, "falava" aquilo que a consciência não podia admitir. Como vimos no Volume (Estudos sobre a Histeria), o corpo da histérica era um campo de batalha onde a subjetividade tentava, através do sintoma, afirmar-se contra a domesticação burguesa. Hoje, a indústria da moda opera uma inversão da histeria. En
há 13 horas3 min de leitura


"Banalidade do Mal" na Família Unidimensional
A conexão entre o discurso de ódio dos pais (sionismo radical, intolerância religiosa) e a ação dos filhos é o que Marcuse descreveria como a introjeção da agressividade sistêmica. O Lar como Célula de Fascismo Molecular: O pai que destila ódio a vítimas distantes (na Palestina, por exemplo) está validando a estrutura psíquica da crueldade. O filho não faz uma distinção geopolítica; ele apenas aplica a lição de que certas vidas não têm valor. A Substituição da Ética pela Mo
há 6 dias2 min de leitura


A Clínica do Sujeito Neoliberal
A clínica psicanalítica contemporânea enfrenta uma mutação sem precedentes na dinâmica da transferência, materializada na fragilidade do laço social e na prática recorrente do "ghosting" clínico. Este fenómeno, em que o sujeito irrompe na sessão, vomita um mal-estar imediato e desaparece sem dar continuidade ao processo, não deve ser interpretado apenas como um desvio comportamental ou uma falha de adaptação, mas como uma manifestação sintomática de uma subjetividade moldada
há 7 dias3 min de leitura


A Imprecisão Teórica no Conceito de Narcisismo
O conceito de narcisismo ocupa um lugar central na metapsicologia psicanalítica. Originalmente, o termo foi empregado por Paul Näcke, em 1899, para descrever uma perversão na qual o indivíduo trata o próprio corpo como se este fosse um objeto sexual. Contudo, com o amadurecimento de sua obra — culminando no ensaio de 1914 —, Freud expande essa definição, integrando o narcisismo à própria constituição do Eu (Ego). Essa virada teórica ocorreu quando Freud observou que traços na
29 de abr.4 min de leitura


Acting-out e Passagem ao Ato: Uma Perspectiva Lacaniana
Para que se logre compreender os conceitos de acting-out e passagem ao ato, cumpre-nos, inicialmente, discorrer sobre a separação. Segundo Lacan, a separação não se reduz ao mero desligamento físico da figura materna, mas constitui uma operação lógica e estrutural do sujeito em relação ao objeto $a$. Nessa acepção, o objeto $a$ define-se como um resíduo. Lacan assevera que a causa do desejo não é algo que o sujeito perde no mundo fenomênico, mas sim um remanescente que se des
24 de abr.2 min de leitura


A Máscara da Normalidade: Estigma e Perversidade nos Novos Cordões da Inclusão
Na contemporaneidade, assistimos a uma sofisticada reconfiguração do que Erving Goffman chamou de identidade social. Se outrora o estigma era cravado na pele ou na classe, hoje ele é meticulosamente desenhado pelas mãos de uma psiquiatria que, deformada pela indústria farmacêutica, substituiu a escuta pelo instrumento de medição. Surgem, assim, os cordões da inclusão: uma nova e obscena forma de exclusão que, sob o pretexto de acolher, aprisiona o sujeito em sua própria subje
14 de abr.2 min de leitura


A juventude perdida unidimessional
A geração nascida entre as décadas de 1990 e 2000 pode ser analisada à luz do conceito de "unidimensionalidade" desenvolvido por Herbert Marcuse em 1964. O que à primeira vista parece mera rebeldia juvenil ou patologia social isolada revela-se, sob exame mais detido, a expressão de um fenômeno mais profundo: a integração total dos indivíduos ao sistema de dominação característico da sociedade pós-industrial, agora atualizada por três ideologias complementares que operam como
1 de mar.5 min de leitura




