

A Clínica do Sujeito Neoliberal
A clínica psicanalítica contemporânea enfrenta uma mutação sem precedentes na dinâmica da transferência, materializada na fragilidade do laço social e na prática recorrente do "ghosting" clínico. Este fenómeno, em que o sujeito irrompe na sessão, vomita um mal-estar imediato e desaparece sem dar continuidade ao processo, não deve ser interpretado apenas como um desvio comportamental ou uma falha de adaptação, mas como uma manifestação sintomática de uma subjetividade moldada
há 17 horas3 min de leitura


A Imprecisão Teórica no Conceito de Narcisismo
O conceito de narcisismo ocupa um lugar central na metapsicologia psicanalítica. Originalmente, o termo foi empregado por Paul Näcke, em 1899, para descrever uma perversão na qual o indivíduo trata o próprio corpo como se este fosse um objeto sexual. Contudo, com o amadurecimento de sua obra — culminando no ensaio de 1914 —, Freud expande essa definição, integrando o narcisismo à própria constituição do Eu (Ego). Essa virada teórica ocorreu quando Freud observou que traços na
há 6 dias4 min de leitura


Acting-out e Passagem ao Ato: Uma Perspectiva Lacaniana
Para que se logre compreender os conceitos de acting-out e passagem ao ato, cumpre-nos, inicialmente, discorrer sobre a separação. Segundo Lacan, a separação não se reduz ao mero desligamento físico da figura materna, mas constitui uma operação lógica e estrutural do sujeito em relação ao objeto $a$. Nessa acepção, o objeto $a$ define-se como um resíduo. Lacan assevera que a causa do desejo não é algo que o sujeito perde no mundo fenomênico, mas sim um remanescente que se des
24 de abr.2 min de leitura


A Máscara da Normalidade: Estigma e Perversidade nos Novos Cordões da Inclusão
Na contemporaneidade, assistimos a uma sofisticada reconfiguração do que Erving Goffman chamou de identidade social. Se outrora o estigma era cravado na pele ou na classe, hoje ele é meticulosamente desenhado pelas mãos de uma psiquiatria que, deformada pela indústria farmacêutica, substituiu a escuta pelo instrumento de medição. Surgem, assim, os cordões da inclusão: uma nova e obscena forma de exclusão que, sob o pretexto de acolher, aprisiona o sujeito em sua própria subje
14 de abr.2 min de leitura


A juventude perdida unidimessional
A geração nascida entre as décadas de 1990 e 2000 pode ser analisada à luz do conceito de "unidimensionalidade" desenvolvido por Herbert Marcuse em 1964. O que à primeira vista parece mera rebeldia juvenil ou patologia social isolada revela-se, sob exame mais detido, a expressão de um fenômeno mais profundo: a integração total dos indivíduos ao sistema de dominação característico da sociedade pós-industrial, agora atualizada por três ideologias complementares que operam como
1 de mar.5 min de leitura


A "Injunção ao Gozo"
Em uma sociedade tradicional (época de Freud), o Supereu dizia: "Você não pode (ter prazer sexual)" . O recalque era a resposta a essa proibição. Numa sociedade "libertina", o imperativo muda. O Supereu passa a dizer: "Você tem que ter prazer" ou "Você deve ser sexualmente bem-sucedido". Nesse cenário, o recalque não desaparece, ele muda de objeto: O que é recalcado agora? O que se torna "proibido" ou "vergonhoso" não é mais o sexo, mas a falta de desejo, a impotência, o d
23 de fev.2 min de leitura


Considerações sobre Kant com Sade
Em Kant com Sade , Lacan desmascara a "neutralidade" do imperativo categórico do alem do principio do prazer. Para Kant, a lei moral deve ser despojada de qualquer patologia (desejos, inclinações, prazeres). No entanto, Lacan observa que essa pureza absoluta é, em si mesma, monstruosa. Ao elevar a lei acima de qualquer contingência humana, Kant cria uma "barra" que não é apenas protetora (como o Nome-do-Pai que organiza o desejo), mas uma instância que exige um sacrifício tot
17 de fev.2 min de leitura




