"Joana, A Francesa": Decadência Familiar e Pulsão de Morte no Brasil
- Ana Celeste Alves Casulo
- há 9 horas
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O filme brasileiro dirigido pelo cineasta Cacá Diegues conta a história de Joana, uma francesa dona de um prostibulo em São Paulo. Joana resolve aceitar o convite do Coronel Aureliano um coronel nordestino arruinado economicamente, devido o declínio do ciclo açucareiro e a ascensão da agricultura cafeeira no Brasil. Aureliano representa, o declínio do modelo patriarcal e colonial no interior do Nordeste. Aureliano e sua família encarnam a degradação do modelo de organização familiar do Brasil Colônia. A principal característica desse declínio é, o enfraquecimento do poder paterno e avanço do gozo materno desenfreado sobre a família. Esse avanço desse gozo materno se dá como uma forma de impedir o declínio do poder patriarcal, como uma reação a alternância dos donos do poder. Mas uma alternância que não representa progresso, mas uma mudança dos personagens para representar o mais do mesmo.
No Brasil não existe progresso o que existe é a modernização de um metabolismo social oriundo de um poder decadente que insiste em não cair. Como já diria Chico de Oliveira a funcionalização da própria miséria. Porque a Joana é exatamente isso o moderno já que a França no imaginário tupiniquin representa o novo a ruptura, mas quando esse elemento é posto na engrenagem do velho funcionamento ele se torna bizarro ele é arrastado para servir para funcionar o velho com cara de novo.
A mãe de Aureliano Dona Olimpia interpretado por Leia Abramo representava a opressão do gozo feminino não – todo sem bordas sem contornos completamente disforme sobre os familiares. Em que ela ditava as regras e o acontecimento da família conforme seus próprios caprichos de um gozo mortífero que devorava tudo e todos a sua volta em que o pai não exercia mais nenhum efeito simbólico. Era a mãe à matriarca que guardava e transmitia a lei, a sua lei. Dona Olimpia era a dona da lei e de toda verdade obscena de sua família. E tomava para si a função de expiar os “pecados” da família. Assim como manter a imagem de pureza de uma família degradada pela ruina econômica e por relações incestuosas como a criança filha da esposa de Aureliano com o próprio filho que nascera louca e fora criada como uma espécie de animal em uma cabana em frente a casa grande. Dona Olimpia como uma boa guardiã da moral cristã e patriarcal culpava Joana pela “desgraça” de sua família e acreditara que a presença de Joana na propriedade seria para encerrar o ciclo de degradação do engenho Santa Rita. O que Dona Olimpia era incapaz de perceber é que o fim do seu império era decorrente do próprio engessamento subjetivo próprio do conservadorismo cristão, patriarcal e decadente amarrado em costumes e na velha politica de opressão e autoritarismo do período colonial. O conservadorismo vai se transformando como a ideologia que marca a decadência e a mortificação presente na produção e reprodução da família patriarcal brasileira está ideologia decadente e mortífera servirá de base para as novas formas de organização familiar da família burguesa parasitaria que constitui a atual elite brasileira.
Joana é arrastada por Coronel Aureliano para matar e para morrer. Cumprindo assim a profecia materna autoritária da destruição da família inteira. Arrastando todos os espaços de vida para a morte. Para a família de Dona Olimpia apenas a morte e o sofrimento seria o redentor para a expiação dos “pecados familiares”. Logo após a morte de Dona Olimpia morte esta decidida por ela mesma. Em um momento mesmo sem estar doente ela decide o dia de sua própria morte escolhe a sua roupa um vestido com cheiro de mofo, velho, mofado chama o padre e reuni a família para o ritual em que ela morre espontaneamente, porém antes de morrer ela com a autoridade a ela conferida pelo seu gozo mórbido transfere a sua própria lei para Joana dizendo: - termine o que começou, você veio enterrar essa família, você foi enviada por Deus ou pelo Demônio.
Perseguida pela exigência do gozo superegóico, Joana incorpora a dona Olimpia e começa a cumprir a profecia da matriarca. Joana encarna a própria decadência da família e passa a se sentir culpada pela morte da esposa do coronel Aureliano. A Das Dores a mulher, das dores a mulher que personifica a dor e da miséria de uma condição feminina da incompletude daquela que não conhece a castração. A mãe que toma para si de modo sexual o seu filho como falo e objeto de desejo concebendo um filho do seu próprio filho. Aos poucos a libertinagem e liberdade de joana vão sendo substituídos pelo gozo autoritário de Dona Olimpia a vida que habita em Joana vai sendo transformado em pura pulsão de morte que arrasta tudo e todos a sua volta para a tragédia. Diante do autoritarismo de Dona Olimpia não existe espaço para a liberdade para o questionamento apenas para a obediência cega que caminha para morte.







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