A Estupidez do Etarismo
- 10 de jul.
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A sociedade adora se vestir com o manto da moralidade pública para esconder a própria miséria emocional.
Quando o assunto é um relacionamento com uma diferença de idade marcante, as máscaras caem com uma velocidade assustadora, revelando não uma preocupação com o bem-estar alheio, mas a profunda escuridão, frustração e hipocrisia de quem assiste da plateia.
O julgamento alheio sobre essas uniões é o sintoma escancarado de uma sociedade doente por controle, preconceito e recalque.
A Desumanização e a Dessensualização do Idoso
O primeiro sinal de podridão na mente do julgador é o etarismo puro. A sociedade opera sob a premissa bizarra de que o direito ao afeto, ao desejo, ao romance e ao sexo expira com a idade. Ao olhar para o parceiro mais velho, o tribunal da internet e o da mesa de jantar decretam, de forma covarde, a sua dessensualização.
Tratam o indivíduo maduro como um ser assexuado, incapaz de amar ou ser amado por quem ele é, reduzindo-o a uma mera carteira ou a uma carcaça de conveniência.
Há uma incapacidade crassa em aceitar que a maturidade traz consigo um magnetismo que o imediatismo da juventude sequer consegue compreender.
Para o hipócrita, o velho deve se recolher à invisibilidade; qualquer lampejo de vida e paixão incomoda quem já morreu por dentro.
A Projeção da Própria Baixeza
Quem aponta o dedo e grita "interesse!" ou "abuso!" não está analisando o casal; está fazendo uma confissão pública de seus próprios valores.
Como o julgador é incapaz de conceber uma relação baseada em admiração mútua, conexão intelectual e afinidade de almas, ele projeta no outro a sua própria pequenez.
Se o crítico só consegue enxergar transações financeiras ou exploração, é porque ele próprio é uma criatura mercantilista, que só se moveria por dinheiro ou por carne jovem.
O acusador mede o amor alheio com a régua da sua própria mediocridade.
O Monopólio Juvenil do Afeto
Existe uma ditadura cultural implícita que dita que o amor, a beleza e a cumplicidade são privilégios exclusivos dos jovens.
É a ilusão de que os relacionamentos só são legítimos se acontecerem entre dois corpos perfeitamente padronizados e igualmente imaturos.
O resto? O resto é rotulado como "anomalia".
Essa insistência em trancar as relações em caixas etárias revela o pânico que as pessoas têm do tempo.
Ao destilar preconceito contra casais com diferença de idade, o julgador tenta aplacar o próprio medo de envelhecer e de se tornar descartável.
Ele pune no outro a audácia de ser feliz fora do roteiro medíocre que a massa aceitou seguir.
O Veredicto
No fim das contas, a acidez dos comentários e os olhares tortos dizem zero sobre o casal e tudo sobre o algoz.
Quem gasta o seu tempo vigiando, rotulando e condenando o amor alheio está apenas deixando claro o tamanho do seu próprio vazio.
É a dor de quem olha para o lado e vê uma liberdade que nunca terá a coragem de vivenciar.
A escuridão de quem julga nasce do fato de saber que, enquanto eles destilam veneno em suas vidas amargas e previsíveis, os outros estão, simplesmente, vivendo.



Bela análise, removeu as máscaras do etarismo, revelou sua essência de vileza e o pavor do tempo.
A mais pura verdade, o Etarismo é uma discriminação nojenta!